A Galia não existia até 50 anos atrás. Foi um cruzamento controlado feito num laboratório agrícola israelense pra criar o melão com aroma mais intenso da Cucurbitaceae.
O melão Galia (também chamado Ha'Ogen no mercado interno israelense) é uma cultivar relativamente recente. Foi criada em 1973 pelo melhorista Dr. Zvi Karchi, do Centro Volcani, em Israel, cruzando uma variedade de honeydew com uma russa Krymka. O nome Galia vem da filha dele.
O objetivo era criar um melão com a doçura do honeydew, a textura firme do Krymka e um perfil aromático intenso. Resultado: a Galia tem cerca de 40 compostos voláteis na polpa que liberam aroma quando o fruto está totalmente maduro, segundo análises cromatográficas publicadas no Journal of Agricultural and Food Chemistry.
Por isso a Galia é vendida por aroma, não só por aparência. Maturação plena se detecta pelo perfume na ponta oposta ao cabinho: se houver cheiro doce e perfumado, está pronto pra cortar. Se não, ainda precisa amadurecer.
A Galia foi rapidamente adotada em mercados premium europeus nos anos 1980 e chegou ao Brasil no início dos anos 2000. A Pomar cultiva a variedade Panda Galia em Mossoró, com Brix mínimo de 11° e calibre uniforme entre 800 g e 1,5 kg.
Curiosidade botânica: a Galia tem casca rendilhada característica (chamada netting), padrão que se forma naturalmente quando a polpa interna expande mais rápido que a casca externa. Quanto mais marcado o desenho do netting, mais maduro está o fruto.
Fontes
- ·Karchi Z., Volcani Center Agricultural Research Organization — Galia melon breeding
- ·Beaulieu JC. et al., Journal of Agricultural and Food Chemistry — Melon aroma volatiles
- ·USDA Germplasm Resources Information Network — Galia melon cultivar





